Uma comunicação interna saudável para o equilíbrio pessoal
Conecte-se a você.
Fique quieto
E descubra o seu centro de paz.
Em toda a natureza
As dez mil coisas movimentam-se,
Mas cada uma volta à sua fonte.
Voltar ao centro é paz.
Descubra o Tao voltando à fonte.TAO 16
Toneladas diárias de bits ||
Somos condicionados a devorar torrentes de informação por minuto. Da hora em que levantamos até a hora de dormir somos teleguiados pela sintaxe midiática. Temos a impressão de que se não nos alimentarmos com as informações de todos os tipos de mídia ao nosso alcance, definharemos como pessoas ou como profissionais. Se desligamos a TV, os celulares, o noticiário do rádio, nossos e-mails e até mesmo nos desconectamos totalmente da Internet (alguém já tentou isso?!?), sentimo-nos de certa forma alienados ou, no mínimo, culpados. Temos centenas de fontes de notícias, dezenas de redes sociais e milhares de “amigos”, todos à distância de um clique. Mas não existe um “clique” mágico que nos reconecte à nossa pura essência.
Quando perdemos a conexão com o exterior, sentimo-nos desnorteados. Nos damos conta de que no silêncio provocado por uma interrupção abrupta de nossos “links”, não aguentaremos a inquietude de nossas próprias cabeças. A tagarelice interior não nos permite acalmar o corpo, muito menos a mente. E aí percebemos que, mesmo quando conectados com todos os tipos de mídias vinte e quatro horas por dia, certamente estamos desconectados de nós mesmos. Manter um diálogo interior saudável, no silêncio absoluto, é praticamente impossível, porque nossa comunicação interna foi condicionada exclusivamente por informações forçadas do exterior. Acabamos por não nos reconhecer no nosso próprio vazio.
Muitas vezes não nos damos conta de que a mídia tradicional, aquela que chega fácil até nós, nos mantém num estado de tensão constante, prendendo-nos pela nossa curiosidade mórbida e viciando-nos pelo espetáculo do sofrimento humano. Com tantas informações negativas que são atiradas como kamikazes sobre nós, alimentamos sentimentos cada vez mais angustiantes. Sentimo-nos culpados pelos problemas sociais, preocupados demasiadamente com nossa saúde, mais assustados ainda com as condições de sobrevivência neste mundo, menos predispostos à perceber a nossa própria essência… Isto vai minando nossos pensamentos positivos e a nossa motivação. Resultado disso é a fobia generalizada, a ansiedade e a depressão arruinando nossa sanidade.
Sim, é certo que na sociedade moderna baseada na informação, nós precisamos estar conectados com o mundo. Mas não precisamos fazer dessa ligação uma forma de esquecermos de nós mesmos, consciente ou inconscientemente. A nossa vida, nossos entretenimentos e relações virtuais se tornaram a principal fonte de contato com o mundo, diminuindo a qualidade do nosso indispensável relacionamento intrapessoal, autoreflexivo, construtivo e sereno.
Conectados sim, mas não-identificados
A ciência da Programação Neurolinguística (PNL) já nos ensinou que o nosso estado se reflete pela forma com que nos comunicamos com nós mesmos e com os outros. O único esforço que despendemos é o estabelecimento de uma disciplina para que nossas representações internas sejam positivas, mesmo diante das adversidades que necessariamente cruzarão o nosso caminho. É claro que para isso precisamos neutralizar o fluxo de informações negativas que chegam até nós.
Devemos abandonar o sofrimento derivado das agruras do mundo, não transformando-as em mais sofrimento e indisposição pessoal perante a vida. Identificar-se com a injustiça, a política corrupta, a violência, só nos consome e não traz resultados para as mudanças necessárias. Para fazer a diferença e ter uma visão mais clara do mundo, é necessário um distanciamento desses problemas, que sempre existiram, mas hoje chegam até nós como commodities midiáticas.
Importante não confundirmos o distanciamento com o egoísmo ou a passividade diante dos problemas. Mas atentarmos para o fato de que, se formos contaminados pelo desânimo, será praticamente impossível agirmos em busca da melhoria das relações humanas.
Propostas: mudança da qualidade das informações e momentos de desconexão
Mude a qualidade das informações que chegam até você
A grande maioria das informações que chegam até nós são provenientes de tragédias e desesperos humanos. Isto é, nossa representação e comunicação interna referente ao mundo ao nosso redor passa a ser muito negativa. Busque melhorar a qualidade das informações que você tem acesso, evitando ao máximo o sensacionalismo baseado no sofrimento. Deixe de lado programas policiais, filmes ou noticiários que dominam sua comunicação interna negativa. Prefira um filme ou programa de comédia, um livro instrutivo para a alma ou algo que o engrandeça de fato. Nossa comunicação interna positiva provocada pela catarse do riso ou da satisfação em absorver e refletir sobre um novo conhecimento nos faz encarar a vida com leveza e disposição, motivando-nos para agir e transformar efetivamente a qualidade do nosso ambiente.
Desconecte-se do mundo por alguns momentos
Retire-se diariamente e vá ao encontro de sua essência fundamental. Identifique seus valores. Reavalie-os. Reconecte-se consigo, permitindo fluir com sua mente natural, sem a interferência de agentes externos de informação. Sinta seu corpo, seus pensamentos, seu estado de espírito. Quinze a vinte minutos diários sem telefones, televisão, revistas, Internet, etc, podem transformar a qualidade do seu dia. Neste momento é possível abandonar o domínio do seu próprio ego sobre você, uma força tão impulsiva quanto destrutiva, permitindo encontrar o vazio pleno que o levará à um estado incondicional de preenchimento. Perceba a necessidade de se estar consciente em cada ato, cada palavra, cada movimento ou atividade que você desenvolve.
Reconecte-se conscientemente ao seu ambiente
Ao reconectar-se com o mundo, mantenha a sua consciência nas suas ações, nos acontecimentos, no seu entorno. Desde as pequenas tarefas diárias, como tomar um banho ou organizar a casa, as rotinas normais, até as atividades profissionais. Use a informação que chega para agir de forma ponderada, equilibrada. Não perca a serenidade diante das adversidades, pois isto é um indicador de que você se identificou com elas. Respire e se afaste, adotando perspectivas e horizontes mais amplos sobre o caminho colocado diante de seus pés. Cuide da sua mente, pois ela, uma vez centrada, cuidará do resto.
